Vacinas contra covid-19 podem causar aumento de gânglios na axila; entenda

sexta-feira | 25 de junho de 2021

Se você já tomou a vacina contra a covid-19, você pode ter experimentado algumas reações adversas, como febre, mal-estar ou dor de cabeça, que tendem a passar rapidamente. Isso faz parte do processo de formação de anticorpos do nosso organismo.

Uma outra reação que também pode acontecer é o surgimento de um “caroço” na região da axila. Eles são conhecidos como linfonodos, órgãos que fazem parte do sistema linfático, responsável por proteger o corpo contra doenças.

Quando o corpo recebe esse antígeno da vacina, ele prepara uma resposta imune e as células (linfócitos) que compõem esse processo estão localizadas nos linfonodos. É exatamente por isso que eles podem ficar inchados.

“Em algumas vacinas contra a covid-19 foi observado um aumento mais acentuado desses linfonodos exatamente do lado onde a pessoa recebeu a dose. Isso pode ocorrer com qualquer vacina, mas foi observado com uma frequência maior nas vacinas contra covid-19”, explica Claudia França Cavalcanti Valente, membro do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Segundo Vilmar Marques de Oliveira, mastologista e presidente da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), é um evento que pode acontecer com qualquer pessoa, mas que não deve gerar pânico por parte dos pacientes.

“Chamamos de linfonodo reacional, pois ele reage ao processo inflamatório, seja por uma vacina ou por uma infecção verdadeira, como a gripe”, diz.

Isso significa que qualquer infecção pode ocasionar esse aumento do linfonodo. Se a pessoa tem uma gripe, por exemplo, ela nota esse caroço na região do pescoço. Ou, então, se a mulher tem câncer de mama, também podem aparecer os linfonodos aumentados na região das axilas.

Gânglios aumentados não são sinal de câncer de mama

Em exames de rotina, comumente feitos pelas mulheres, é possível que esse aumento dos gânglios apareça na região da axila. Isso pode confundir, por exemplo, com os sintomas de câncer de mama.

“As sociedades médicas —radiologistas e ginecológicas— já estão organizando protocolos. Um deles é saber se essa mulher já recebeu a vacina contra covid-19, a data e em qual lado ela tomou o imunizante. Isso é para poder correlacionar com a imagem que foi encontrada no exame de rotina e fazer um rastreio do câncer de mama ou não”, explica a médica da Asbai.

De acordo com os especialistas, o que precisa ficar claro é que a vacina contra covid-19 não vai causar câncer algum. “O que pode acontecer é uma coincidência durante esse processo todo”, diz o mastologista.

A ginecologista e obstetra Thais Zeque esclarece que essa intercorrência pode ocorrer em mulheres em qualquer idade, mas isso não significa que as pacientes devem ficar preocupadas ou suspender o uso da vacina.

“Se você foi surpreendida com esse linfonodo após um exame de rotina ou percebeu inchaço, procure seu ginecologista. Ele vai passar todos os procedimentos necessários”, explica.

Estudo analisou mulheres nos EUA

Inclusive, um estudo publicado no dia 24 de fevereiro deste ano, no American Journal of Roentgenology, examinou 23 mulheres que tiveram um inchaço dos linfonodos após receberem o imunizante contra covid (Pfizer e Moderna) nos EUA.

Como resultado, 57% das mulheres apresentaram um nódulo anormal do mesmo lado do braço em que foi aplicado o imunizante. Mas, de acordo com os cientistas, isso seria parte do processo reativo à vacina. Para eles, médicos e radiologistas devem estar familiarizados com esse assunto para evitar confusões no diagnóstico.

Linfonodos tendem a voltar ao normal

Mas o tempo pode variar de acordo com a pessoa. “Pode ficar de duas a três semanas ou até três meses. Existem linfonodos que não voltam ao normal”, explica o mastologista.

Por isso, é muito importante que as pessoas procurem um médico após o surgimento desses caroços após a vacinação. A ideia é investigar se é uma reação passageira da vacina ou algo mais sério. Em casos de outras infecções, os gânglios podem ficar inchados nas regiões da virilha e pescoço.

FONTE: UOL