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Rastreamento mamográfico despenca no Brasil

quinta-feira | 8 de outubro de 2020

Para a Sociedade Brasileira de Mastologia, a redução das mamografias poderá prejudicar muitas mulheres com o aumento do tumor e menor chance de cura e de uma sobrevida mais longa 

Se o rastreamento mamográfico das mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil já era preocupante – uma cobertura em torno de 20%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com a pandemia de covid-19 esse cenário piorou. A cobertura do exame foi bem abaixo da população alvo e  acentuadamente diferente entre os vários estados brasileiros.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de mamografias realizadas pelo SUS caiu entre janeiro e julho de 2020, em comparação com os anos anteriores. As mamografias realizadas até julho somaram 1,1 milhão, contra 2,1 milhões nos mesmos períodos de 2018 e 2019. De acordo com o Ministério da Saúde, a pandemia de covid-19 foi o fator principal para a diminuição da procura por esse serviço, ainda que as unidades de saúde tenham mantido o atendimento e a oferta de tratamento às pacientes.

Para a Sociedade Brasileira de Mastologia, a redução de 45% das mamografias realizadas pelo SUS nos sete primeiros meses de 2020, na faixa etária de 50 a 69 anos, a redução poderá trazer um prejuízo para as mulheres com a possibilidade de aumento do tumor e menor chance de cura e de uma sobrevida mais longa. “Estamos muito preocupados com a questão do tratamento postergado e o diagnóstico tardio. Por isso, enfatizamos que as mulheres não podem deixar de fazer seu tratamento ou seus exames. O atendimento nas unidades está sendo feito de maneira segura e as mulheres devem retornar a sua rotina de agendar sua consulta e exames”, afirma Dr. Vilmar Marques, presidente da SBM, completando que atualmente as pacientes correm menos risco nos hospitais do que quando estão no supermercado, salão de cabeleireiro ou shopping.

O rastreamento é muito importante, principalmente para mulheres a partir dos 40 anos, que hoje são negligenciadas pelo INCA, muitas pacientes têm dificuldades de acesso a esse exame. E o problema não está na falta de mamógrafos. Segundo o Ministério da Saúde, são cerca de 4,2 mil mamógrafos em uso no SUS em todo o Brasil, que é considerado suficiente no país, no entanto eles são mal distribuídos – a maioria está nas grandes cidades e capitais, deixando boa parte da população do interior e de pequenas cidades descobertas, com impossibilidade de fazer o exame de maneira rápida.

Existem alguns fatores que podem explicar esse baixo número de mamografias, como dificuldade das mulheres de receberem o pedido para o exame no primeiro atendimento, ainda no posto de saúde; a falta de qualificação dos profissionais do pronto-atendimento, que muitas vezes as encaminham para lugares distantes de suas residências; dificuldade de deslocamento (quando precisam realizar o exame longe de suas residências); mamógrafos quebrados ou em manutenção; e a falta de técnicos habilitados para manusear o equipamento. “O Brasil é um país de dimensões continentais e são vários os problemas que levam a esse baixo índice de mamografias”, explica Dr. Vilmar.

A Sociedade Brasileira de Mastologia reitera que o rastreamento mamográfico tem sido o melhor método para detectar tumores precoces e reduzir a mortalidade por câncer de mama, dados comprovados por diferentes estudos. “É preciso que a população saiba que a prevenção é o melhor caminho para o diagnóstico precoce e que pode fazer toda a diferença  no potencial de cura”, conclui o mastologista, completando que o mote da SBM no Outubro Rosa 2020 é “Quanto Antes Melhor” para lembrar a importância de manter hábitos saudáveis, como atividade física e boa alimentação, além de exames e consultas em dia.