SBM pede ao Ministério da Saúde que pacientes com câncer sejam incluídos no grupo prioritário de vacinação do Covid-19

terça-feira | 9 de fevereiro de 2021

Devido ao cenário de pandemia, a corrida pela imunização se tornou emergencial e fundamental, principalmente, para aqueles listados no grupo de risco, como idosos e profissionais de saúde. Contudo, os pacientes com câncer também se enquadram nesta categoria uma vez que o tratamento oncológico, geralmente, reduz  o sistema imunológico.

Diante disso, a  Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) encaminhou carta para o Ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, solicitando que pacientes com câncer de mama e de outros tipos sejam incluídos no grupo prioritário no plano de vacinação da Covid-19.

A entidade lembra ainda que foi percebido em todo o país um aumento considerável de pacientes que interromperam o tratamento por medo de se contaminarem com o novo coronavírus durante o deslocamento  e também ao dar entrada na unidade de saúde. .Segundo levantamento realizado em centros hospitalares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas principais capitais, em 2020,  a queda nos atendimentos de mulheres em tratamento, nos meses de março e abril, logo no início da pandemia, foi em torno de 75%, em comparação ao mesmo período de 2019. A Rede Brasileira de Pesquisa em Câncer de Mama, em parceria com a SBM, mostrou que o número de mamografias entre janeiro a julho de 2020 caiu 45% em relação ao ano anterior.

A SBM reintera que muitas pacientes se encontram com baixa imunidade devido ao tratamento  e interrompê-lo é um risco muito grande, na maioria dos casos, maior do que contrair o vírus, já que os hospitais estão seguindo todos os protocolos sanitários. “Como especialistas da saúde da mama, nós mastologistas de todo o país, entendemos que para tranquilizar e, principalmente, proteger essas mulheres e outras que devem seguir o rastreamento mamográfico é fundamental inseri-las no plano nacional como grupo prioritário. Aliás, essa nossa humilde e consciente solicitação se estende aos inúmeros casos de outros tipos de câncer, cujos pacientes se encontram na mesma situação.”, afirma Dr. Vilmar Marques, presidente da entidade.

Confira abaixo na íntegra a carta enviada ao Ministério da Saúde: 

 

Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2021.

Ao Ministério da Saúde
A/C.: Excelentíssimo General Eduardo Pazuello
Assunto: Solicitação para inclusão de pacientes com câncer de mama e outros tipos no grupo prioritário do plano nacional de vacinação

Excelentíssimo Ministro,

Já foi citada exaustivamente que a pandemia do novo coronavírus se apresenta como um episódio sem precedentes nas últimas décadas. Certamente, o mundo inteiro sentiu o golpe de um vírus silencioso e que para muitos cidadãos traz consequências avassaladoras, inclusive, levando-os ao óbito. Por conta disso, nós da área da saúde podemos mensurar o desafio e o esforço que Vossa Excelência está enfrentando num país com dimensões continentais, dentre eles e mais recente, o de gerir o plano nacional de vacinação. A busca pela maior assertividade possível na estruturação de um cronograma a ser seguido e, essencialmente, na seleção dos grupos a serem contemplados pela vacina de forma prioritária é constante e determinante para o sucesso da imunização da população em médio e longo prazo.

E no momento em que os brasileiros comemoram a chegada da vacina cresce também a ansiedade de todos, estamos certos de que os profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate da doença e os idosos, mais de 10% da população do país, devem ser priorizados, conforme já ratificado pelo Ministério. No entanto, considerando a sequência desse roteiro, cabe levar em conta um público que já sofreu forte impacto ao longo de 2020, com uma série de contratempos causados pelo necessário distanciamento social: as pacientes de câncer de mama e também de outros tipos.

Levantamento realizado em centros hospitalares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas principais capitais, em 2020, revelou que a queda nos atendimentos de mulheres em tratamento, nos meses de março e abril, logo no início da pandemia, foi em torno de 75%, em comparação ao mesmo período de 2019. A Rede Brasileira de Pesquisa em Câncer de Mama, em parceria com a SBM, mostrou que o número de mamografias entre janeiro a julho de 2020 caiu 45% em relação ao ano anterior. Tudo devido ao medo de se contaminar durante o deslocamento e também ao dar entrada na unidade de saúde.

Muitas dessas pacientes se encontram com a imunidade baixa devido ao tratamento e interrompê-lo é um risco muito grande, na maioria dos casos, maior do que contrair o vírus, já que os hospitais estão seguindo todos os protocolos sanitários. Como especialistas da saúde da mama, nós mastologistas de todo o país, entendemos que para tranquilizar e, principalmente, proteger essas mulheres e outras que devem seguir o rastreamento mamográfico é fundamental inseri-las no plano nacional como grupo prioritário. Aliás, essa nossa humilde e consciente solicitação se estende aos inúmeros casos de outros tipos de câncer, cujos pacientes se encontram na mesma situação.

Excelentíssimo Ministro, o câncer não espera. Estudos comprovam que clinicamente pacientes com câncer avançado e submetidos a certos tratamentos têm alto risco de desenvolver a forma mais grave da Covid-19 e, consequentemente, maior risco de mortalidade, pois já se encontram como sistema imunológico baixo.

Sem mais para o momento, agradecemos antecipadamente a receptividade, estando certo de que Vossa Excelência refletirá sobre o tema. Aguardaremos o devido posicionamento confiantes numa resolução de extrema importância para a essa parcela da população brasileira.

 

Dr. Vilmar Marques
Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia                                                              

Dr. João Bosco
Presidente do Departamento de Políticas Públicas Sociedade Brasileira de Mastologia