Estudo revela uso ineficiente dos mamógrafos no Rio de Janeiro


Estudo coordenado por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia

Um estudo coordenado por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro em parceria com o Engatti/UFRJ revela que a situação dos mamógrafos no Estado do Rio de Janeiro é alarmante. Dos 484 equipamentos em uso nas redes pública e privada, apenas 184 atendem o Sistema Único de Saúde (SUS). Em Macaé, por exemplo, há 15 mamógrafos, mas nenhum funciona pelo SUS. Já na capital do Rio, dos 207 equipamentos, apenas 42 funcionam na rede pública.

O estudo também mostra que em 42 municípios não há nenhum mamógrafo e as mulheres precisam se deslocar para cidades vizinhas, como é o caso de Arraial do Cabo, Buzios, Itaguaí, Japeri, Maricá, Miguel Pereira, Parati, Piraí, entre outros. A má distribuição, somada ao déficit em diversos locais, pode explicar o baixo número de mamografias realizadas no estado. A expectativa é de que fossem realizadas 1.113.291 de mamografias em 2016 no Estado, quando na verdade foram feitas 171.752, uma cobertura de 15,4%.

Outro resultado que chamou a atenção foi a região da Baixada Fluminense, que realizou 744.425 mamografias nas redes pública e privada, quando a capacidade era de 1.368.576. Esse número cai para 521.098 exames realizados apenas pelo SUS, porém com uma capacidade menor, de 420.710 exames, ou seja, faltam mamógrafos na Baixada.

Para a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Sandra Gioia, o baixo número de mamografias realizadas pelo SUS nos municípios não é surpresa.  “Temos mamógrafos suficientes, a questão é que são mal distribuídos – a maioria está nas grandes cidades, deixando boa parte da população do interior e de pequenas cidades descobertas, com impossibilidade de fazer o exame de maneira rápida”, explica ela.

A mastologista ressalta também que muitas vezes a unidade tem o mamógrafo, mas este não funciona porque ainda não foi instalado, ou não tem técnico especializado para operar, ou está descalibrado precisando de manutenção, ou está quebrado mesmo. “Tão grave quanto a falta de acesso ao rastreamento mamográfico é a falsa sensação de ter feito o exame, que se não tiver qualidade não pode ser considerado uma ferramenta de diagnóstico precoce, ou seja, uma mamografia mal feita pode ocasionar o risco da paciente receber um resultado falso positivo ou falso negativo, que é muito grave”, afirma Gioia.

O levantamento avaliou os números do primeiro semestre de 2017, levando em conta a situação dos mamógrafos e o número de mamografia, com base nas populações femininas de 40 a 69 anos de todos os municípios, com base nos dados do IBGE de 2015. O cálculo considerou a demanda anual de mamografias de rastreamento e diagnósticas, para estas faixas etárias, usando os métodos de cálculo do Instituto Nacional do Câncer (INCA).