Ultrassonografia Mamária

Última atualização em 17 de Novembro de 2011.
Autor:
SBM - Sociedade Brasileira de Mastologia

A ultrassonografia mamária é uma técnica usada para reproduzir imagens transmitidas por um transdutor que emite e reflete ondas sonoras até a mama. É baseada nos mesmos princípios envolvidos no sonar utilizado por morcegos e submarinos. Quando a onda sonora encontra um objeto, ela volta, dando eco. Medindo as ondas do eco é possível determinar a distância do objeto, seu tamanho, forma e consistência (se cheio de líquido, se sólido ou misto). O sistema de ultrassom converte as ondas sonoras, captadas pelo transdutor, que são medidas e mostradas instantaneamente por um computador que cria uma imagem em tempo real no monitor, a qual é interpretada pelo médico. A ultrassonografia mamária exige que se utilize transdutores de alta frequência, (maior que 7,5 MHz) e que o examinador seja experiente, pois sua interpretação depende muito deste fator. A ultrassonografia mamária é utilizada no diagnóstico e no acompanhamento de lesões e para a realização de biópsias com agulhas, pois ela mostra o local da lesão e orienta o médico sobre a área a ser biopsiada.

O Estudo Doppler

O estudo Doppler consiste de uma técnica ultrassonográfica que avalia o fluxo sanguíneo através dos vasos, podendo ser realizado para avaliar se há vascularização ou não em um nódulo mamário, o que pode, em alguns casos, fornecer informação adicional sobre a natureza do nódulo.

Como é feito o exame

A paciente se deita de costas, levanta os braços, pousando as mão sob a nuca. Em seguida é aplicado um gel transparente, à base de água, que sai facilmente após o exame, sobre a mama a ser examinada. O gel serve para conduzir o som, garantindo o contato entre a pele e o transdutor, evitando que o ar prejudique a passagem do som. O médico desliza o transdutor sobre a mama em várias posições, garantindo que todo o tecido mamário esteja sendo visto . O estudo Doppler é feito com o mesmo transdutor.

O que a paciente sente durante o exame

É um exame indolor. Geralmente só dói em áreas que já estejam com alguma sensibilidade aumentada, sendo bem tolerado pela maioria das mulheres. Após o exame o gel é retirado com toalha de papel ou tecido.

É necessário algum tipo de preparo antes de se fazer a ultrassonografia mamária?

Não. A paciente pode se alimentar normalmente. De preferência, vestir roupa de duas peças, pois é necessário tirar a blusa e o sutiã para a realização do exame. Normalmente as clínicas de exames oferecem aventais apropriados para serem vestidos durante o exame, mas é mais fácil estar com roupa de duas peças.

Quanto tempo demora um exame de ultrassom das mamas?

O exame de ultrassom das mamas demora geralmente de 15 a 30 minutos.

A ultrassonografia mamária é indicada para todas as mulheres?

Não. Na mulher jovem, antes dos 30 anos de idade, é o primeiro exame (depois do exame clínico, feito pelo médico no consultório), que é solicitado, caso o médico ou a paciente sintam alguma alteração em suas mamas. Nas demais mulheres, após os 40 anos de idade, é feita após a mamografia, nos casos indicados, por ser o método auxiliar da mamografia, de menor custo e o mais acessível.

Qual o tipo de mama que é mais beneficiado pela ultrassonografia?

É a mama densa na mamografia, aquela que tem pouco tecido gorduroso. Por que? Porque a mama é constituída de tecido glandular, conjuntivo e adiposo, além de vasos sanguíneos e nervos. O que dá o contraste na mamografia, ou seja, o que faz com que a mamografia fique "mais transparente" e mostre a lesão, é o tecido gorduroso. Se tiver pouco deste tecido, a mama fica pouco transparente e pode obscurecer uma lesão, às vezes até palpável. A ultrassonografia pode demonstrar a lesão e ainda dizer se ela é cística (se contém líquido), se é sólida, ou ainda, se é mista (cística e sólida).

A ultrassonografia pode substituir a mamografia?

Não, porque a mamografia é o único método já comprovado, por múltiplos estudos, que pode diminuir a taxa de mortalidade por câncer de mama, apesar de também não conseguir detectar todos os cânceres. Por que? Porque ela é a única a conseguir detectar microcalcificações, que são diminutas imagens calcificadas, que dependendo de sua forma e distribuição na mamografia, podem indicar a presença de um câncer inicial, com grande potencial de cura. As microcalcificações, por serem muito pequenas, geralmente não podem ser detectadas pelo ultrassom, a não ser quando se encontram dentro de nódulos.

A ultrassonografia pode predizer se uma lesão é benigna ou maligna?

Existem características de imagem na ultrassonografia que podem sugerir benignidade ou malignidade, mas ocorre que algumas lesões apresentam características suspeitas de malignidade e são benignas e vice-versa. O médico, ao dar o laudo da ultrassonografia, classifica a lesão de acordo com um sistema internacional de dados e laudos, chamado BI-RADS® ( Breast Imaging Reporting and Data System) que tem sete categorias:

  • O: Quando são necessários exames adicionais para elucidar o achado, como a mamografia ou a ressonância magnética;
  • 1: Quando não há nenhum achado
  • 2: Quando os achados são benignos;
  • 3: Quando os achados são quase certamente benignos, necessitando controle com ultrassom em um período curto, geralmente de seis meses;
  • 4: Quando deve-se considerar fazer a biópsia, existindo subcategorias A, B e C, dependendo do grau de suspeita;
  • 5: Quando a lesão é quase certamente maligna, devendo ser submetida a biópsia;
  • 6: quando a lesão maligna já foi biopsiada e se está examinando de novo para reavaliação ou para controle durante quimioterapia feita antes da cirurgia (a quimioterapia neoadjuvante) realizada em alguns casos indicados.

Quando a mamografia é feita em um dia e a ultrassonografia em outro e a categoria BI-RADS® é diferente nos dois exames, como o médico deve interpretar?

Quando as categorias variam entre 1 e 2, nada muda. Quando a categoria foi 0 na mamografia, solicitando o ultrassom, a categoria vai mudar, pois o ultrassom geralmente vai elucidar o achado encontrado na mamografia e vai dar a categoria final. Quando a categoria em um exame é discrepante do outro, vale a categoria mais alta, a não ser que um achado suspeito no ultrassom, como a necrose gordurosa, se mostre típico de benignidade na mamografia, desfazendo a confusão. Assim , tudo vai depender do contexto, devendo ser explicado no laudo, pelo examinador.

A ultrassonografia mamária pode ser feita, como a mamografia de rastreamento, periodicamente?

A ultrassonografia não tem radiação ionizante, podendo ser realizada sem riscos para a paciente, quantas vezes forem necessárias, além de ser um exame de baixo custo. Ocorre que, por não detectar microcalcificações e por ser muito operador-dependente, não é um método que a literatura médica atual recomenda como rastreamento periódico. Entretanto, múltiplos estudos já demonstraram que a ultrassonografia mamária realizada em mamas densas pode detectar cânceres pequenos, não vistos na mamografia. O problema é que a utilização da ultrassonografia mamária em massa, como rastreamento na população geral, acarretaria muitas biópsias desnecessárias por detectar imagens que podem parecer suspeitas e não terem significado patológico. Assim, o ideal seria a realização da ultrassonografia mamária complementar à mamografia na mama densa, especialmente nas mulheres com risco aumentado para câncer de mama, não havendo entretanto, recomendação oficial específica desta conduta, devido ao exposto acima.

A ressonância magnética é mais sensível que a ultrassonografia para detectar câncer, mas pode não estar disponível para todas as mulheres. Se o rastreamento for feito com a ressonância magnética, a ultrassonografia não é necessária. Entretanto, o ultrassom pode ser utilizado, após a ressonância magnética, com "second look", para caracterizar anormalidades encontradas na ressonância e guiar biópsias.

A ultrassonografia mamária pode ser utilizada como rastreamento para os seguintes grupos de mulheres:

  • As que são de alto risco e não podem ser submetidas a ressonância magnética por algum motivo;
  • Mulheres grávidas ou que não possam ser submetidas a raios-X ( necessário na mamografia).

A ultrassonografia mamária pode guiar todas as biópsias de mama?

A ultrassonografia mamária pode guiar todas as biópsias ou marcações pré-cirúrgicas de lesões que são vistas no ultrassom. Lesões que são vistas só na mamografia são guiadas pela estereotaxia e lesões vistas só na ressonância magnética são guiadas somente por este método. Deve-se lembrar que uma nova ultrassonografia deve ser realizada para planejar o procedimento e determinar se este método pode ser utilizado para guiar o procedimento, especialmente se o exame foi feito em outro serviço.

A ultrassonografia mamária pode ser feita em homem?

Sim, para avaliar nódulos e guiar procedimentos intervencionistas com agulha. Entretanto, o melhor método para diferenciar ginecomastia (crescimento do parênquima mamário em homem) e lipomastia (aumento da mama às custas de tecido adiposo) é a mamografia.

Benefícios da Ultrassonografia Mamária

  • É disponível em quase todos os lugares e tem um custo menor que os outros métodos
  • Não utiliza radiação ionizante
  • Pode mostrar nódulos que podem não ser vistos na mamografia, especialmente em mamas densas
  • Pode ajudar a detectar e classificar lesões que não podem ser interpretadas só com a mamografia
  • Pode demonstrar que muitas áreas de dúvida ao exame clínico representam tecido normal ou cistos, que são alterações benignas
  • Proporciona imagens em tempo real, sendo uma boa ferramenta para guiar biópsias percutâneas
  • É o método de escolha para mulheres abaixo dos 30 anos de idade

Riscos da Ultrasssonografia Mamária

  • A ultrassonografia diagnóstica não oferece riscos deletérios aos seres humanos
  • A interpretação da ultrassonografia pode levar a procedimentos adicionais como controle, punções ou biópsias

Quais são a limitações da Ultrassonografia Mamária?

  • Não substitui a mamografia e o exame clínico cuidadoso
  • Muitos cânceres, especialmente os que se manifestam só com microcalcificações, não são vistos na ultrassonografia
  • A ultrassonografia mamária pode levar a indicação de biópsia para determinar se uma anormalidade é câncer, ou não, e a maioria demonstra não ser câncer
  • É importante que o ultrassonografista tenha experiência e conheça a patologia mamária, pois as imagens são obtidas em tempo real e a detecção da lesão é muito operador-dependente
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