Seu diagnóstico

Última atualização em 17 de Novembro de 2011. Por Sociedade Brasileira de Mastologia

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Câncer de mama invasivo e não invasivo: Cânceres de mama são tumores malignos que surgem na glândula mamária, na maioria das vezes a partir dos ductos (canais que ligam a glândula ao mamilo) ou dos lóbulos (partes da mama que secretam o leite). Os tumores iniciais, que ainda não infiltraram a membrana basal, que separa os ductos e lóbulos dos tecidos adjacentes, são chamados de carcinomas não invasivos ou carcinomas in situ. Os tumores que infiltram ou invadem os tecidos da mama são chamados de carcinomas invasivos ou infiltrativos. Os tumores invasivos podem crescer e infiltrar a pele e músculos peitorais. Podem ainda enviar células malignas pela circulação para os linfonodos (ou gânglios) da axila e para outros órgãos como os pulmões, cérebro, ossos, etc, que é chamado de metástase.

Índice de crescimento celular: Os tumores crescem pela divisão ou multiplicação de suas células. Este processo é denominado de crescimento celular e pode ser feito de forma lenta, em tumores bem diferenciados, ou de forma rápida, nos cânceres pouco diferenciados. Quanto maior o índice de crescimento celular pior o prognóstico ou evolução do tumor, pois este está relacionado à capacidade do tumor de invadir os tecidos da mama e enviar metástases para outros órgãos.

Margens cirúrgicas: correspondem à distância entre o tumor e a borda ou margem da peça cirúrgica (biópsia excisional ou mastectomia). As margens são avaliadas pelo médico patologista, que examina as biópsias ou peças cirúrgicas, para saber se o tumor foi totalmente removido, sem evidencia de células tumorais nas margens. Caso o patologista detecte no exame microscópico que há células cancerosas na borda cirúrgica, o mastologista é informado no laudo patológico, para tomar as medidas necessárias, e evitar que haja tumor residual (resto do tumor) no paciente. O exame das margens pode ser feito durante o ato cirúrgico, chamado de exame per-operatório ou por congelação, quando o tumor é palpável pelo mastologista. No caso de tumores não palpáveis, descobertos pela mamografia, o mais seguro é o exame das margens no pós-operatório, guiado pela mamografia da peça cirúrgica que auxilia o patologista a localizar adequadamente o tumor e avaliar as margens com precisão.

Invasão vascular ou linfática: as células dos tumores malignos invasivos ou infiltrativos têm a capacidade de invadir os vasos sanguíneos e/ou os vasos linfáticos e assim ganhar a circulação e produzir metástases (disseminação do tumor para outros órgãos). O médico patologista deve incluir a informação sobre a presença ou não de invasão vascular no laudo do exame patológico, pois este fator é importante indicador da evolução da doença.

Receptores hormonais: alguns tumores de mama necessitam de hormônios para crescerem, principalmente hormônio estrogênio. As células destes tumores contêm receptores para estrogênio e na maioria das vezes também receptores de progesterona. Os testes para determinação de receptores hormonais em cânceres de mama são feitos pelo médico patologista usando a técnica de imuno-histoquímica e podem indicar a possibilidade de se oferecer tratamento hormonal aos pacientes.

Her2: a proteína HER2 ou Her2/neu é encontrada em cerca de 20 a 30% dos cânceres de mama. O teste para HER2 é feito por médico patologista, que determina o aumento da expressão da proteína HER2 por técnica imuno-histoquímica ou avalia o excesso de cópias do gene HER2 por hibridização in situ. Quando o tumor mostra superexpressão da proteína ou amplificação do gene o paciente pode receber tratamento alvo específico com o trastuzumab.

Subtipos moleculares do câncer de mama: Até o ano 2000 os tumores de mama eram classificados de acordo com a aparência observada no exame microscópico feito pelos patologistas, que os classificava em tipos morfológicos (por exemplo: carcinoma ductal invasivo, carcinoma lobular invasivo, carcinoma medular, etc). Mais recentemente, usando técnicas modernas de biologia molecular, surgiu uma nova forma de classificar ou subtipar os tumores baseado nas características moleculares, possibilitando definir os chamados subtipos moleculares. Esta nova forma de classificar tumores ainda não é empregada rotineiramente, pois tem alto custo e exige técnicas sofisticadas, como o perfil de expressão gênica, que ainda não está disponível para uso clínico.

Assinaturas genéticas: são novas técnicas para determinação prognóstica de tumores mamários que se baseiam na avaliação de genes expressos pelos tumores. Surgiram como alternativa ou complemento ao exame patológico rotineiro, na tentativa de individualizar o risco de recidiva ou retorno do câncer, em pacientes que não têm linfonodos ou gânglios axilares comprometidos por metástases. Diferentes testes já estão comercialmente disponíveis, porém todos eles ainda estão em fase de validação em grandes estudos internacionais. Os mais empregados têm sido um teste que avalia 21 genes em amostra de tumor fixado em formol e incluído em parafina (Oncotype DXT) e fornece um escore de recorrência. Outro teste avalia 70 genes (MammaPrintT) e precisa de amostra de tumor congelado, obtida no momento da cirurgia, e usa método de expressão genica. Ambos os tipos de testes ainda são de alto custo e aguardam resultados dos estudos de avaliação internacional para uso clínico rotineiro em casos específicos.

Testes de BRCA1 e BRCA2: Os genes BRCA1 e BRCA2 controlam a divisão das células normais. Raros pacientes sofrem mutações nestes genes e em consequência tornam-se mais susceptíveis ao desenvolvimento de tumores, entre eles o câncer de mama e de ovário. Mutações específicas foram descritas em famílias com muitos parentes com câncer de mama, chamados de grupos de risco. Testes genéticos foram desenvolvidos para detectar mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 nas familias de alto risco e podem ser indicados em casos especiais para avaliar o risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Acometimento linfonodal: O exame dos linfonodos (ou gânglios da axila) em pacientes com câncer de mama é importante para avaliar a presença de células cancerosas e estimar a extensão local da doença, estadiar o paciente (definir o estágio da doença) no momento do diagnóstico inicial e indicar ou não tratamento complementar. A forma de avaliação do acometimento dos linfonodos axilares depende do exame clínico inicial feito pelo mastologista. Nos pacientes com axila livre clinicamente está indicado o exame patológico do primeiro linfonodo que recebe a drenagem da axila, chamado de linfonodo sentinela. Nos casos com axila acometida clinicamente está indicado o esvaziamento ou remoção dos demais linfonodos. O exame microscópico dos linfonodos (sentinela ou do restante da axila) é feito pelo patologista e é fundamental para determinar o restante do tratamento do paciente.

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